O arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio Silva, defendeu nesta segunda-feira (12), dia da Padroeira, uma "paz desarmada e desarmante" e afirmou que o Evangelho não autoriza os cristãos a odiar quem pensa diferente. Durante a homilia, ele criticou divisões, preconceitos e confrontos, e disse que a missão dos fiéis é construir pontes "onde alguém abre precipícios" e promover a reconciliação.

Ao falar durante a homilia sobre a necessidade de construir uma “paz desarmada e desarmante”, dom Mário Antônio da Silva fez referência ao papa Leão XIV, que tem defendido essa mensagem. O arcebispo criticou a lógica dos conflitos e das divisões e afirmou que os ensinamentos de Jesus não justificam o ódio contra quem pensa diferente


“Sabemos que Jesus manda construir a paz. E aqui, escutando Leão XIV, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões. Falamos com armamentos, com guerras e tantos confrontos entre nós. O Evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos”, afirmou.


Na sequência, dom Mário afirmou que a mensagem cristã incentiva o diálogo e a aproximação entre as pessoas.

“O Evangelho, sim, nos autoriza a construir pontes onde alguém abre precipícios ou túneis, onde alguém ergue muros”, declarou.

Ao longo da homilia, dom Mário Antônio da Silva fez um apelo contra a indiferença diante do sofrimento humano e das injustiças. Ele citou crianças feridas, idosos abandonados, guerras e a destruição da natureza entre os problemas que afetam a população do Brasil e do mundo.

Apesar das referências e o tom político, dom Mário Antônio da Silva não fez menções diretas às eleições nem à polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida e os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidatos ao 2º turno

A missa deste ano marca uma mudança na condução das celebrações após a saída de Dom Orlando Brandes, que esteve à frente da Arquidiocese de Aparecida por nove anos. O pedido de renúncia do religioso foi aceito pelo papa após ele completar 80 anos. Dom Mário tomou posse como novo arcebispo em 2 de maio de 2026.

A homilia de dom Mário Antônio seguiu uma linha semelhante à adotada por seu antecessor, pois Dom Orlando Brandes também costumava abordar questões sociais em suas mensagens na Festa da Padroeira. Em anos anteriores, o então arcebispo de Aparecida tratou de temas como desigualdade social, preservação ambiental, racismo, aborto e o papel dos representantes eleitos, com apelos à justiça e à atenção aos mais pobres