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Areia Branca registrou uma redução significativa nos repasses de royalties do petróleo em 2026. De acordo com os dados divulgados, o município recebeu R$ 4.408.514,91 neste ano, enquanto em 2025 o valor havia sido de R$ 6.681.997,18, representando uma queda de aproximadamente 34%.
A redução acompanha o cenário observado em todo o Rio Grande do Norte. O Estado recebeu R$ 12.997.729,24 em 2026, ante R$ 20.616.636,03 no ano anterior, uma diminuição de 36,9% nos repasses provenientes da atividade petrolífera.
Os royalties são recursos pagos aos estados e municípios produtores ou impactados pela exploração de petróleo e gás natural. Os valores são utilizados para investimentos em diferentes áreas da administração pública, como infraestrutura, saúde, educação e serviços essenciais.
Em Areia Branca, a diminuição dos recursos pode representar um desafio para o planejamento financeiro do município, uma vez que os royalties historicamente possuem participação relevante na composição das receitas locais.
segundo o presidente do Sindicato dos Petroleiros do estado (Sindipetro/RN), Marcos Brasil. “Para se ter uma ideia do cenário, em dezembro de 2025 o RN registrou a menor produção dos últimos 40 anos, com 33 mil barris por dia. Essa produção já chegou a 120 mil barris/dia”, explicou, Marcos Brasil em entrevista a Tribuna do Norte.
“Então, esse declínio é previsto. No entanto, nós poderíamos ter o dobro do que é produzido hoje, algo em torno de 60 mil a 70 mil barris por dia. O que falta é investimento. As empresas que substituíram a Petrobras têm 60 vezes menos capacidade de investir.”, apontou Marcos Brasil.

Foto: Sindipetro/RN
Em nota, a Brava Energia informou que os repasses de royalties relativos às operações próprias no Rio Grande do Norte são variáveis e calculados com base no volume de produção e oscilações do preço internacional do petróleo.
“A Brava busca atuar de maneira integrada às expectativas e demandas dos estados e comunidades em que está presente. No RN, as atividades da empresa no Complexo Potiguar geraram R$ 475 milhões em impostos (ICMS e royalties) apenas no último ano."
Para Marcos Brasil, presidente do Sindipetro/RN, outra opção para estimular o setor é a chegada de grandes empresas para exploração de petróleo no estado. Com a Margem Equatorial sob foco, Marcos Brasil aponta que o Rio Grande do Norte tem plena capacidade de recuperar o fôlego na atividade.
“A Petrobras vai iniciar a perfuração do poço Mãe de Ouro a partir de agosto deste ano, com previsão de produzir algo entre 60 mil e 100 mil barris ao dia. Outra frente são os 41 blocos ofertados atualmente pela ANP, os quais têm grande potencial para petróleo”, pontuou.
Ele explica que os blocos ficam entre Apodi e Guamaré, passando por Mossoró, Governador Dix-Sept Rosado, Felipe Guerra, Upanema, Tibau, Grossos, Areia Branca, Serra do Mel, Carnaubais, Assú e Alto do Rodrigues.
O economista Breno Roos, especialista em petróleo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), avalia que a queda está ligada a fatores estruturais e começou a ser observada com mais intensidade a partir dos anos 2000. “Com a venda dos ativos em terra da Petrobras, o cenário se agravou. Além disso, tem uma questão de esgotamento natural desse produto. Tudo isso causa reflexos, embora fosse esperada certa compensação pelo fato de o preço do petróleo, vinculado ao pagamento dos royalties, ter subido. Contudo, os dados mostram que essa compensação não aconteceu”, discorre Breno Roos.
Segundo ele, uma maneira de o estado reverter a situação e trazer nova pujança ao setor é a exploração da Margem Equatorial. No entanto, de acordo com Roos, este é um processo ainda incipiente e que requer tempo.
“Sem dúvida, a fronteira [da Margem Equatorial] é a mais promissora. Os investimentos estão indo para lá, mas tudo está na fase de avaliação de viabilidade dos poços. Uma tomada de decisão sobre a produção, de fato, só deve ocorrer em cinco anos”, projeta o economista.
O campeão de arrecadação no período é Mato Grosso do Sul (alta de 83%), seguido pela Bahia (35,6%) e Espírito Santo (22,9%). No Nordeste, além da Bahia, Sergipe registrou incremento de receita, com aumento de 12% no mesmo recorte. Já em relação à queda, no NE, além do RN, Pernambuco (-21,3%), com maior recuo na região, é acompanhado do Ceará (-9%), do Maranhão (-5,3%) e da Paraíba (-0,4%).
PREJUÍZO PARA ESTADO E MUNICÍPIOS
Arrecadação de royalties do petróleo no RN
Estado do Rio Grande do Norte
2025: R$ 20.616.636,03
2026: R$ 12.997.729,24
Queda de 36,9%
Areia Branca
2025: R$ 6.681.997,18
2026: R$ 4.408.514,91
Queda de 34%
Macaíba
2025: R$ 1.967.315,32
2026: R$ 1.398.741,81
Queda de 28,9%
Upanema
2025: R$ 1.302.869,68
2026: R$ 990.331,39
Queda de 23,98%
Mossoró:
2025: R$ 9.937.198,27
2026: R$ 7.684.838,29
Queda de 22,6%
RN (estado e municípios)
2025: 277.841.513,10
2026: 237.491.424,75
Queda de 14,5%
Fonte: ANP