Crédito: Patrícia de Melo Moreira/AFP

Durante entrevista ao canal The Pivot Podcast, o volante francês Aurélien Tchouaméni, do Real Madrid e da Seleção Francesa, afirmou que o próximo passo diante de novos atos racistas contra Vinícius Júnior será mais rígido: interromper a partida e abandonar o campo.

Na avaliação do jogador, a medida se faz necessária após episódios recentes envolvendo o brasileiro. O caso mais recente citado ocorreu na partida entre Real Madrid e SL Benfica, pela UEFA Champions League, no Estádio da Luz, em Lisboa.

Na ocasião, Vini Jr abriu o placar com um golaço logo no início do segundo tempo. Aos quatro minutos, recebeu passe de Kylian Mbappé pela esquerda e finalizou da entrada da área. A bola fez uma curva e acertou o ângulo do goleiro Anatoliy Trubin. Na comemoração, o camisa 7 dançou próximo à bandeira de escanteio, diante da torcida adversária.

A reação veio em seguida. Jogadores do Benfica foram tirar satisfação com o brasileiro, que acabou advertido com cartão amarelo pelo árbitro François Letexier. Após a confusão, Vini Jr relatou ao juiz ter sido chamado de “mono”, termo racista em espanhol. Ele havia discutido momentos antes com o argentino Gianluca Prestianni.

foto: Jesús Álvarez Orihuela/AS

“Acho que o próximo passo será para de jogar, sabe? Como o time do Real Madrid na Liga dos Campeões, o maior palco do futebol, se tivéssimos parado de jogar aquela partida teria sido uma loucura. Nós ganhamos o jogo, ok. Mas toda vez penso, e se tivéssimos feito isso? sabe? Talvez seja isso que precisamos, para ajudar as pessoas, as ligase todo mundo a entenderem porque eu disse, aconteceu, aconteceu no passado. E se acontecer de novo, mas vai ficar igual, sabe?” Disse, Tchouaméni. 

Diante da denúncia, o árbitro acionou o protocolo antirracismo da UEFA, cruzando os braços em forma de “X” e interrompendo a partida por cerca de dez minutos. Jogadores do Real Madrid chegaram a cogitar deixar o gramado, mas o jogo foi retomado posteriormente.

O episódio resultou em punição ao atleta do Benfica por parte da UEFA. A declaração de Tchouaméni reforça o debate sobre medidas mais duras dentro de campo para combater o racismo no futebol europeu.