Foto: TV Areia Branca
A emoção e a religiosidade deram o tom no encerramento da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Areia Branca. O ponto alto do encerramento da programação cultural ficou por conta da apresentação do espetáculo "Auto dos Navegantes", que levou o público a uma viagem no tempo para recontar a história centenária do marinheiro e maquinista Manoel Félix do Vale, o homem cuja fé deu origem à tradição religiosa no município.
A encenação resgatou o ato heroico ocorrido em maio de 1911. Na ocasião, a embarcação "Sucesso", que transitava em direção a Recife, ficou sob iminente risco de naufrágio na altura do Cabo Santo Agostinho após um cabo se enroscar na hélice do vapor que a rebocava. Em um gesto de bravura e devoção, o maquinista areia-branquense Manoel Félix se lançou ao mar agitado munido de uma pequena faca para cortar a corda e salvar a tripulação. Ao mergulhar sob extremo perigo, ele fez uma promessa a Nossa Senhora dos Navegantes: se saísse vivo, traria a imagem da santa para Areia Branca e organizaria anualmente uma procissão marítima em sua homenagem.
“Manoel Félix é um personagem muito difícil para mim, porque eu sou uma pessoa muito descontraída, e ele acaba sendo muito sério, bruto. Então, para mim, ao longo dos últimos anos, foi difícil, de uma maneira meio rasa. Com o passar dos anos, eu fui gostando do personagem. É um personagem com uma história muito legal. Ao invés de ser uma pessoa ríspida, eu tento deixar ele mais humano, porque eu quero que as pessoas gostem do Manoel Félix, gostem do personagem”, destacou o artista Dionísio Filho.
O ato de fé de Manoel Félix transformou-se no marco fundador dos festejos que hoje constituem o patrimônio cultural e religioso da Costa Branca potiguar. Por meio da dança, do teatro e da música, o Auto dos Navegantes emocionante resgatou a memória desse legado que ultrapassa um século, celebrando a identidade marítima e a devoção do povo areia-branquense à sua padroeira.
“Para mim, é uma honra demonstrar, até para as pessoas que vêm de fora, como começou a devoção, a fé e como surgiu a procissão. A gente contar tudo isso com atores da nossa cidade e ter a confiança que os meninos depositaram em mim é muito especial. Agradeço demais pela oportunidade de participar da apresentação desse espetáculo. Binho e Renan, para mim, são excelentes, e Leandro, secretário, eu não tenho nem como agradecer. Para mim, é gratificante”, ressaltou Stephany Barros, que interpretou Nossa Senhora dos Navegantes.
Foto: TV Areia Branca
Com a presença marcante no palco, o espetáculo reuniu um elenco vibrante de 51 artistas locais entre atores, bailarinos e músicos. A superprodução encantou a plateia ao harmonizar figurinos impecáveis, iluminação cênica e uma narrativa envolvente, elevando o patamar das apresentações culturais do evento e reafirmando o potencial artístico da região.
A concepção e a força dramática da montagem foram frutos do trabalho dos diretores Binho Kashak e Renan Viana, que lideraram a equipe técnica e artística ao longo de meses de ensaios intensos. Sob a condução da dupla, o projeto não apenas resgatou a memória histórica e espiritual de Areia Branca com sensibilidade e apuro estético, mas também deixou uma marca inesquecível na memória dos fiéis e visitantes que prestigiaram o encerramento da festa.
Fotos: TV Areia Branca