Foto: TV Areia Branca

O repórter João Paulo de Castro da TV Areia Branca, conversou com o renomado, pesquisador, historiador e escritor, Geraldo Maia, que é amplamente reconhecido por sua dedicação à história de Mossoró, do cangaço e especialista na cultura e personalidades do município. A entrevista faz parte de uma serie de reportagem produzidas para o momento histórico e cultural vivenciado no mês de junho. Onde acontece uma grande programação dentro do do Mossoró Cidade Junina. 

Mossoró resistiu ao cangaço em 1927, quando a cidade foi invadida no dia13 de junho,  por numeroso grupo de cangaceiros chefiados pelo próprio Lampião. Eles Não contavam, com a fibra do povo de Mossoró. A cidade se preparou e expulsou a bala os cangaceiros. Esse evento constituiu-se num marco da história para a cidade.

Imagem: João Paulo Castro durante a entrevista em mais uma matéria especial de São João, produzida da TV Areia Branca com o pesquisador Geraldo Maia - foto: TV Areia Branca

O renomado pesquisador, historiador e escritor Geraldo Maia fala do plano dos cangaceiros para atacar Mossoró. “A empreitada precisava de muitos preparativos, como aquisição de munição, traçar rotas. Lampião não conhecia o Rio Grande do Norte. Não tinha nenhum coiteiro aqui que pudesse dar apoio aos seus planos. Ele Tinha que contar com as informações passadas por Massilon, esse sim, conhecia bem a região, pois havia sido tropeiro em Mossoró,” explicou. Massilon circulava pela região, conhecia o comércio local e sabia o caminho pelo rio, utilizando esse conhecimento para convencer Lampião de que a cidade era um alvo rico.

Lampião foi audacioso em querer atacar uma cidade do porte de Mossoró, com mais de vinte mil habitantes, várias fábricas de beneficiamento de algodão, agência do Banco do Brasil, estrada de ferro. Eles também queriam dominar a comunicação do município na época, para impedir que a cidade pedisse reforço.

Quando as notícias do ataque do bando de Lampião chegaram a Mossoró, inclusive os cangaceiros  fizeram Coronel Gurgel escrever um bilhete antes ataque. O prefeito da época, Rodolfo Fernandes, acreditou na possibilidade de invasão e preparou a cidade para a defesa. Providenciou armas, munições e traçou um plano de defesa, com os oficiais da polícia local. Solicitou as pessoas indefesas  deixassem a cidade, boa parte fugiu para  Areia Branca, no intuito de  evitar mortes desnecessárias.

Naquela tarde de 13 de junho de 1927. Quando os cangaceiros chegaram, tiveram que enfrentar uma verdadeira “chuva de balas”. A Resistência: A defesa se concentrou na Capela de São Vicente e na casa do prefeito Rodolfo, com cerca de 30 trincheiras. Geraldo Maia explica que quando lembramos o aqui o conceito de história, muita gente diz, vocês estão endeusando, Lampião e o cangaço. “nós estamos tentando entender o porquê do movimento naquela época para que isso nunca mais se repita. a gente fica muito feliz porque está acontecendo esse movimento em Mossoró. não só esse fato, mas a cidade revive, remora todos os grandes feitos históricos acontecidos aqui, entre eles: a libertação dos escravos que aconteceu em 1883, cinco anos antes da lei Aurea e até hoje mostrado, o primeiro voto feminino, a revolta das mulheres, bem como a defesa de Mossoró contra o bando cangaceiro, “ressaltou.

O resultando com a morte do cangaceiro Cochete e com ferimento de diversos outros cangaceiros, inclusive de Jararaca, que ferido no tórax e na parte superior da perna, foi preso no dia seguinte e justiçado uma semana depois. “Acredita-se até hoje que Jararaca é um santo, pois antes de morrer, teria se arrependido dos pecados, a ele foi atribuída algumas graças alcançadas, sendo para alguns considerado um santo popular da região de Mossoró. Centenas de pessoas visitam seu tumulo anualmente,” disse o pesquisador Geraldo Maia

Anualmente o "Chuva de Bala no País de Mossoró", espetáculo teatral de grande porte, realizado no adro da Capela de São Vicente. A encenação celebra a resistência popular de 1927, quando o povo de Mossoró, sob a liderança do prefeito Rodolfo Fernandes, expulsou o bando do cangaceiro Lampião, unindo história, arte e cultura local, atraindo pessoas de vários lugares do Brasil. O espetáculo de 2026 estreia no 11 de junho.