A produção científica do Rio Grande do Norte ganha destaque com a conclusão do doutorado da potiguar Kelly Kercy Nogueira da Silva, que desenvolveu uma pesquisa voltada à análise do efeito cicatrizante induzido pela espécie Sesuvium portulacastrum em feridas.

 

O estudo foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB), no Curso de Doutorado Profissional em Biotecnologia da Saúde da Universidade Potiguar (UNP), sob orientação do pesquisador Fausto Pierdoná Guzen, com atuação na área da saúde e da biotecnologia.

 

Biodiversidade Nordestina como fonte de inovação

A pesquisa parte da valorização da biodiversidade brasileira, especialmente de espécies adaptadas às condições climáticas e ambientais do Nordeste. A Sesuvium portulacastrum é uma planta halófita, capaz de sobreviver em ambientes com alta concentração de sal, comuns em regiões litorâneas e em áreas impactadas pela salinidade.

De acordo com a pesquisadora, a motivação do estudo surgiu da busca por alternativas terapêuticas sustentáveis, acessíveis e fundamentadas em recursos naturais nacionais.

“A literatura científica já apontava propriedades antioxidantes e antifúngicas da espécie. A partir disso, investigamos seu potencial cicatrizante, considerando também o baixo custo e o reduzido impacto ambiental”, destacou.

Além das possíveis propriedades terapêuticas, a planta apresenta capacidade de fitorremediação, auxiliando na recuperação de solos contaminados, o que amplia seu potencial ecológico e biotecnológico.

Presença na Costa Branca Potiguar

Na região da Costa Branca do Rio Grande do Norte, que abrange municípios como Mossoró, Areia Branca, Grossos e Macau, a produção de sal está entre as principais atividades econômicas. Por concentrar extensas áreas de salinas, a região apresenta grande incidência da espécie vegetal em seu entorno.

O estudo reforça o potencial da biodiversidade nordestina como fonte de inovação científica, aliando desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e valorização dos recursos naturais locais.