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O Rio Grande do Norte iniciou uma nova etapa na comercialização de sua produção pecuária com o primeiro embarque marítimo de bovinos vivos realizado no Nordeste. A operação ocorreu nesta terça-feira, 27, no Porto de Natal, de onde uma embarcação partiu às 14h transportando 2.700 animais com destino à Arábia Saudita. Um segundo navio já está atracado no terminal para embarcar outras 3.700 cabeças de gado destinadas ao Líbano. Juntas, as operações deverão movimentar aproximadamente R$ 50 milhões em negócios para a pecuária potiguar.
Os números foram apresentados pelo secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha. Segundo ele, a abertura do mercado internacional representa uma oportunidade para ampliar a comercialização de bovinos e estimular investimentos na atividade. “A expectativa do Governo do Estado é que as operações tenham continuidade e contribuam para aumentar a produção pecuária no Rio Grande do Norte”, disse o secretário.
Atualmente, o rebanho bovino potiguar é estimado em 1,4 milhão de cabeças. Embora considere o volume pequeno, diante de outros Estados brasileiros, Saldanha avalia que o acesso aos mercados internacionais poderá incentivar a expansão da criação de animais, com investimentos em propriedades rurais, alimentação, manejo e infraestrutura produtiva.
O secretário também não descarta que o crescimento da atividade favoreça, em um futuro próximo, a instalação de um frigorífico no Estado. “Essa possibilidade está relacionada à ampliação da oferta de bovinos e à formação de uma cadeia produtiva com maior capacidade de processamento, mas não há – por enquanto – nenhum anúncio de investimento ou prazo definido para a implantação de uma unidade industrial”, informou Saldanha.
A movimentação prevista de R$ 50 milhões corresponde às duas operações anunciadas e poderá beneficiar diferentes segmentos da economia. Além dos criadores, o transporte dos animais até o porto envolve empresas de logística, fornecedores de combustível, trabalhadores portuários e prestadores de serviços relacionados à atividade.
A habilitação do Porto de Natal para exportação de animais vivos também cria uma alternativa de escoamento para a produção regional. A expectativa apresentada para o terminal é alcançar, futuramente, movimentação superior a 100 mil bovinos por ano, volume que dependerá da demanda internacional, da oferta de animais e da capacidade operacional.
O Governo do Estado considera que a abertura dessa modalidade de exportação poderá estimular a ampliação dos rebanhos e a entrada de novos produtores no mercado externo. Para isso, será necessário manter condições sanitárias, infraestrutura de transporte e capacidade de atendimento às exigências dos países compradores.
A chegada das primeiras embarcações coloca o Porto de Natal em uma atividade até então inexistente no terminal. A continuidade das operações poderá ampliar a participação da pecuária na economia estadual, mas também exigirá acompanhamento dos custos logísticos, das condições de transporte e dos impactos associados à movimentação de animais vivos.
Pequenos produtores participam das vendas
A primeira operação de exportação também contou com a participação de agricultores familiares e pequenos criadores. Segundo Guilherme Saldanha, nos 30 dias anteriores ao embarque, 13 produtores comercializaram entre um e dez bovinos cada, enquanto outros quatro venderam entre 11 e 20 animais.
A participação de 17 pequenos produtores, de acordo com o secretário, atende à orientação do Governo do Estado de permitir que criadores de diferentes portes tenham acesso às oportunidades abertas pelo comércio internacional.
Em vídeo divulgado na terça-feira 27, Saldanha afirmou que a iniciativa poderá ampliar a geração de renda nas propriedades rurais e movimentar atividades ligadas ao transporte, ao abastecimento e aos serviços portuários.
O secretário também abordou as condições de transporte dos bovinos, afirmando que o bem-estar animal é uma das prioridades da operação. Entre os cuidados mencionados estão o fornecimento de água, alimentação adequada e condições de conforto durante a viagem. A expectativa é que novos embarques sejam realizados, permitindo maior participação dos produtores potiguares no mercado internacional.