Após o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, a pouco mais de duas semanas das eleições, o reajuste do Bolsa Família em cerca de 15%, alguns de seus principais adversários ao pleito vieram a público criticar a medida. O senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) disse considerar a medida como “ilegal”, enquanto Renan Santos (Missão) afirmou que vai acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a medida e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema afirmou que é uma medida eleitoreira que mostra o desespero do petista.

Durante uma agenda de sua campanha em Vitória da Conquista (BA), Flávio Bolsonaro afirmou que Lula tenta tirar proveito eleitoral do reajuste na reta final da disputa e comparou o poder de compra do benefício ao valor pago durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Os R$ 600 não compram mais o que compravam na época do Bolsonaro. Não caia na falsa promessa da picanha, porque Lula está em desespero. Lula acabou de fazer um decreto, mesmo sabendo que é ilegal e proibido durante as eleições. Fez uma coisa que não fez em quatro anos de governo. Faltando 17 dias para a eleição, acha que vai enganar dando reajuste no Bolsa Família. Mas é um desespero porque ele sabe que já perdeu.”, afirmou.

Apesar de Flávio classificar publicamente o reajuste como ilegal, sua campanha decidiu não acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para contestar a medida. A avaliação no entorno do candidato é de que o momento escolhido pelo governo pode ter impacto eleitoral e aliados classificam o anúncio como “eleitoreiro”, mas a equipe jurídica definiu que não partirá do QG uma iniciativa para questioná-lo na Justiça.

Quarto colocado nas pesquisas da Quaest para o primeiro turno, o candidato do Missão, Renan Santos afirmou que Lula estaria “jogando o peso da irresponsabilidade econômica dele no colo de quem trabalha e produz” e que pretende acionar a justiça eleitoral contra a medida.

“Eu não vou deixar isso acontecer, ao contrário dos outros candidatos que tem medo de fazer esse enfrentamento porque sabe que é impopular. É crime eleitoral.”, afirmou o candidato em comunicado à imprensa.
 

O ex-governador de Minas Gerais e candidato pelo partido Novo Romeu Zema, que marcou 1% na última pesquisa, também classificou o reajuste como eleitoreiro e acusou Lula de comprometer as contas públicas para tentar reverter o cenário das pesquisas. Segundo o candidato, o aumento representará um gasto adicional de R$ 22 bilhões.

“Esse reajuste do Bolsa Família é uma medida eleitoreira que mostra o desespero de Lula depois de perder a liderança nas pesquisas de segundo turno. Lula age de forma irresponsável, aprofundando a catástrofe nas contas públicas do Brasil e comprometendo mais R$ 22 bilhões para tentar comprar o voto do brasileiro que o PT deixou na pobreza nos últimos 20 anos.”, afirmou.

Até a publicação desta matéria, os candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) não haviam respondido aos contatos feitos pela equipe de reportagem.

Em 2022: Bolsonaro reajustou Bolsa Família

A 17 dias da eleição, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira, 17, um reajuste de 15% do Bolsa Família. A estratégia também foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quando tentou a reeleição em 2022. A diferença foi que Bolsonaro recorreu à estratégia bem antes: em 24 de junho, ou seja, a 100 dias do 1º turno daquele ano.

O anúncio foi confirmado na ocasião pelo próprio Bolsonaro, durante um evento em João Pessoa (PB), quando ele anunciou que o Auxílio Brasil - como foi rebatizado o Bolsa Família - passaria de R$ 400 para R$ 600. O novo valor começou a ser pago em agosto daquele ano, cerca de dois meses antes do primeiro turno.

Em 31 de agosto de 2026, sob o nome original de Bolsa Família, o governo Lula enviou ao Congresso a proposta de Orçamento para 2027 sem previsão de reajuste do Bolsa Família. O texto reserva R$ 157,1 bilhões para o programa e mantinha o benefício mínimo em R$ 600 por família.

Na quinta-feira, 17, no entanto, a 17 dias do 1º turno, o governo petista anunciou que reajustará o benefício em 15%. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o custo é de R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir de outubro, e de R$ 22 bilhões em 2027. Todo o impacto seria absorvido pelo espaço fiscal existente em ambos os exercícios.

Com o aumento linear aos benefícios dentro do Bolsa Família, o piso dos pagamentos sai de R$ 600 para R$ 691, com a média dos benefícios saindo de R$ 691 para aR$ 777. A alta foi justificada por Moretti pela previsão legal de dar reajuste inflacionário aos beneficiários, seguindo ele, o INPC desde o inicio do programa até agosto foi de 15,04%.

A falta de reajuste no Bolsa Família vinha sendo alvo de críticas por meio do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa. Flávio tem lembrado, principalmente em seus discursos no Nordeste, de que a gestão Bolsonaro não havia apenas mantido o programa, mas dado reajuste real.