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A indústria produtora de sal do Rio Grande do Norte passa a contar com gás natural para abastecer as plantas fabris, após a conclusão do gasoduto que liga Mossoró a Areia Branca. Nesta sexta-feira (11), a Salina Uirapuru, em Mossoró, passou a receber o combustível. O início da operação foi marcado por uma visita técnica da governadora do RN, Fátima Bezerra, à unidade.
A ligação à salina integra o Polo Gás Sal, iniciativa da Companhia Potiguar de Gás (Potigás) voltada à interiorização da rede de gás natural. Outras duas indústrias já estão com contratos assinados para receber o combustível.
O projeto Polo Gás Sal recebeu investimentos de R$ 34,5 milhões e contempla 52 quilômetros de rede, com capacidade potencial de fornecimento de até 40 mil metros cúbicos de gás natural por dia.
A nova infraestrutura pode reduzir custos, aumentar a eficiência das unidades produtoras e contribuir para a expansão das exportações do sal potiguar. O gás também estará disponível para outros segmentos, como postos de combustíveis, comércio, restaurantes, bares e consumidores residenciais.
As obras começaram em janeiro de 2025 e foram executadas ao longo da margem da BR-110, conectando a malha existente em Mossoró às áreas produtivas da Costa Branca.
Sal ganha nova matriz energética
Na Salina Uirapuru, a governadora acompanhou a modernização da unidade, que passou a utilizar gás natural em seu processo produtivo e está ampliando as instalações. A expectativa é elevar a capacidade de produção e fortalecer a atuação da empresa tanto no mercado brasileiro quanto no exterior.
O Rio Grande do Norte responde atualmente por 98% da produção brasileira de sal marinho, tendo a Costa Branca como principal área produtora. Para Fátima Bezerra, a infraestrutura é importante para aumentar a competitividade da atividade.
“O sal faz parte da identidade do povo potiguar, da paisagem da Costa Branca, da economia da região e, principalmente, da história de milhares de trabalhadores e trabalhadoras que construíram suas vidas nessa atividade”, disse.
Segundo a diretora-presidente da Potigás, Marina Melo, a substituição do gás liquefeito de petróleo (GLP) pelo gás natural altera a logística de abastecimento das empresas e pode favorecer o beneficiamento do sal.
Exportações do sal podem crescer
O novo fornecimento chega a uma cadeia que movimenta a economia potiguar e tem forte presença no comércio exterior. Em 2024, o Rio Grande do Norte produziu 6,5 milhões de toneladas de cloreto de sódio. No mesmo ano, as exportações de sal marinho alcançaram 412 mil toneladas e contribuíram para um superávit de US$ 289,7 milhões na balança comercial do Estado.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) estima que a adoção de uma nova matriz energética possa elevar em até 15% as exportações do setor no médio prazo, com possibilidades de abertura de mercados na América Central e na Europa.
A indústria salineira reúne cerca de 150 empresas, responsáveis por aproximadamente 95% do sal extraído no país, segundo dados do setor. A cadeia gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos, conforme o Sindicato das Indústrias de Moagem e Refino de Sal do RN (SIMORSAL-RN).
Atualmente, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Sal (ABISAL), a matriz energética do setor é formada por aproximadamente 60% de eletricidade e 40% de combustíveis líquidos. A entrada do gás natural pode reduzir custos operacionais, elevar a eficiência em até 20% e diminuir as emissões de gases de efeito estufa.
Gasoduto amplia usos na Costa Branca
Além da indústria do sal, o gasoduto cria condições para ampliar o consumo de gás natural em outros setores. Durante a agenda, a governadora visitou o Posto FAN, em Areia Branca, que passa a operar com o Polo Gás Sal.
O novo ponto também atende veículos movidos a gás natural. Segundo o diretor técnico e comercial da Potigás, Denis Falcon, a estrutura elimina a necessidade de deslocamento até Mossoró para abastecimento.
“Hoje, os veículos movidos a gás natural licenciados em Areia Branca precisam ir a Mossoró para abastecer. Agora, teremos um ponto de abastecimento na própria cidade. E, quando falamos em gás, não estamos falando apenas de veículos, mas de toda a sociedade: indústrias, comércio, restaurantes e bares. A ampliação do gasoduto traz para a região uma fonte de energia moderna, segura e competitiva”, apontou.