Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino utilizou suas redes sociais nesse domingo (20) para denunciar o que classificou como um “indisfarçável preconceito regional, de matriz racista” presente em algumas críticas direcionadas à sua atuação na Corte. Na publicação, acompanhada de um mapa das regiões Norte e Nordeste, o magistrado, que é natural do Maranhão, apontou a existência de um “ódio à procedência regional”.
Dino destacou trechos de ataques públicos recebidos em veículos de imprensa, citando expressões como “jurista de província”, “pessoa destituída de qualquer qualificação” e “oratória grandiloquente de província”. Embora reconheça que a vida pública exige submissão ao debate, o ministro ressaltou que é seu dever apontar quando manifestações violam as leis, a dignidade e a decência.
Segundo o magistrado, o tom preconceituoso busca desqualificar seu repertório intelectual e acadêmico, especialmente o uso de referências a pensadores como Aristóteles, Max Weber e Thomas Hobbes em seus votos e decisões. “Mas como? No Maranhão e em Pernambuco se estuda Aristóteles? – perguntarão os preconceituosos. Da minha parte, seguirei citando a Constituição Federal, as leis, Aristóteles, Max Weber, Hobbes, e tudo que eu achar pertinente, inclusive Chico César e Fábio Porchat”, ironizou.
O ministro também enfatizou que não se curvará a avaliações de quem se autoproclama intérprete das “metrópoles” do país ou de nações estrangeiras. “Sou magistrado, e por isso zelo pela independência funcional diante de todos os poderes públicos e privados, pois sem ela não existe Poder Judiciário”, concluiu.
Com informações do Metrópoles