O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (20), durante ato de campanha em Natal, que vai se reunir na próxima quarta-feira (26) com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir a aprovação da medida provisória que acaba com o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”.

Diante de apoiadores no estacionamento da Arena das Dunas, Lula afirmou que pretende tratar diretamente com os dois presidentes do Congresso sobre a proposta e vinculou a discussão à agenda que o governo tenta avançar no Legislativo.

Eu, Hugo Motta e o Alcolumbre vamos quarta-feira decidir acabar com a taxa das blusinhas”, afirmou Lula durante o discurso.

O presidente também voltou a defender o fim da cobrança sob o argumento de que a tributação pesa principalmente sobre consumidores de menor renda. Segundo Lula, existe uma desigualdade entre a tributação das pequenas compras feitas pela internet e as regras aplicadas a quem realiza compras no exterior.

A cobrança federal de 20% sobre importações de até US$ 50 entrou em vigor em 2024, após aprovação pelo Congresso e sanção presidencial. Em maio deste ano, o governo editou uma medida provisória para zerar novamente o Imposto de Importação nessa faixa de compras. A mudança, porém, depende da aprovação do Congresso para continuar valendo.

A reunião anunciada por Lula ocorre em meio à articulação do Palácio do Planalto para avançar pautas de interesse do governo no Congresso. Durante o mesmo discurso em Natal, o presidente também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 e pediu aos eleitores a eleição de deputados alinhados à proposta. A tramitação do tema ganhou novo impulso no Senado nos últimos dias, após a retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre.

A declaração em Natal reforça uma ofensiva iniciada pelo presidente nos últimos dias. Na terça-feira (18), Lula já havia divulgado um vídeo em que disse estar otimista com a aprovação da MP e citou nominalmente Motta e Alcolumbre como peças centrais para a votação no Congresso.