A possibilidade de uma nova paralisação da pesca do atum no Brasil tem gerado preocupação entre empresários, armadores, pescadores e demais setores ligados à cadeia produtiva em Areia Branca, na região da Costa Branca do Rio Grande do Norte. Em entrevista à TV Areia Branca, Pedro do Atum explicou como está a discussão em torno da quantidade que poderá ser autorizada para a pesca e os possíveis impactos para o município.

Segundo Pedro, atualmente a atividade trabalha com uma produção em torno de 17 mil a 17,5 mil toneladas de atum. De acordo com ele, uma proposta foi apresentada pela ASPERN, QUALIPESCA e outros órgãos ligados ao setor, envolvendo representantes de armadores, proprietários de embarcações e pescadores, com o objetivo de manter esse volume de produção.

Ainda conforme a explicação apresentada por Pedro do Atum, o CONEPE teria apresentado aos órgãos envolvidos uma proposta de 14 mil toneladas, o que representa uma redução de aproximadamente 3 mil toneladas em relação ao volume defendido pelo grupo que representa parte da cadeia produtiva. A discussão envolve a definição da quantidade de pesca que poderá ser realizada pelo Brasil dentro das regras internacionais de conservação dos recursos pesqueiros.

Pedro afirma que existe uma preocupação de que uma eventual redução da cota tenha reflexos não apenas na atividade pesqueira, mas também nos demais setores que dependem economicamente da pesca do atum. Ele avalia que é necessário considerar, além da preservação ambiental, os impactos sociais e econômicos para as comunidades que têm na atividade uma importante fonte de trabalho e renda.

Pedro do Atum é um dos principais representantes da Pesca do Atum no Rio Grande do Norte - foto: TV Areia Branca

Discussão envolve regras internacionais

A definição da quantidade de atum que o Brasil poderá pescar também passa pela ICCAT (Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico), organização internacional responsável por estabelecer medidas de conservação e gestão de espécies de atuns e afins no Oceano Atlântico.

A ICCAT reúne países que participam da gestão dos recursos pesqueiros do Atlântico, incluindo nações da Europa, Ásia e Américas. O Brasil participa dessas discussões e busca defender os interesses de sua atividade pesqueira dentro das regras estabelecidas internacionalmente.

Segundo Pedro do Atum, o setor que atua no Brasil pretende levar à discussão internacional a defesa de uma cota de 17 mil toneladas. Ele também afirma que há integrantes do setor que defendem uma quantidade ainda maior, chegando a 20 mil toneladas.

A definição da cota, no entanto, depende das discussões e decisões dentro dos mecanismos internacionais de gestão da pesca. Por isso, o setor acompanha de perto as próximas etapas da negociação.

Preocupação com Areia Branca

Em Areia Branca, a preocupação é ainda mais próxima da realidade local. Pedro do Atum afirma que cerca de 12 embarcações estão atualmente paralisadas e que a redução ou interrupção da atividade pode atingir diretamente a economia do município.

De acordo com o empresário, a paralisação dessas embarcações já representa uma redução na movimentação econômica local, que ele estima em aproximadamente R$ 2 milhões a R$ 3 milhões.

O impacto, segundo Pedro, não fica restrito aos barcos e aos pescadores. A cadeia produtiva envolve diversos segmentos, como trabalhadores da pesca, empresas, fornecedores, comércio, serviços, transporte, manutenção das embarcações, abastecimento e outras atividades que movimentam a economia de Areia Branca.

Por isso, a preocupação apresentada pelo setor é que uma eventual redução da atividade possa provocar uma diminuição na circulação de recursos no município.

Rio Ivipanim em Areia Branca, local onde as embarcações da Pesca do Atum realiza a produção no Cais Tertuliano Fernandes - foto: reprodução

Setor relembra paralisação ocorrida em 2023

Pedro também lembrou que uma situação semelhante já ocorreu no final de 2023, quando o Governo Federal suspendeu temporariamente a pesca de determinadas espécies de atum após o Brasil se aproximar do limite anual estabelecido em acordos internacionais.

A experiência de 2023 é utilizada pelo setor como referência para demonstrar os possíveis efeitos de uma nova interrupção da atividade. Para os representantes da cadeia produtiva, o objetivo neste momento é buscar uma solução que permita conciliar a preservação dos recursos pesqueiros com a continuidade da atividade econômica.

A discussão, portanto, envolve dois pontos principais: a conservação das espécies e a manutenção da atividade pesqueira, que gera emprego e movimenta a economia de municípios como Areia Branca.

Atividade tem importância para o Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte está entre os estados brasileiros com participação relevante na produção de atum. Em municípios da Costa Branca, como Areia Branca, a atividade faz parte da economia local e envolve uma extensa rede de trabalhadores e empresas.

Pedro do Atum reforça que a preocupação do setor é evitar que uma possível redução da cota ou uma nova paralisação provoque perdas para toda essa cadeia produtiva.

A discussão ainda está em andamento e envolve diferentes órgãos e representantes do setor pesqueiro. A definição da quantidade que poderá ser pescada pelo Brasil deverá considerar as regras de conservação estabelecidas internacionalmente e as negociações relacionadas à participação brasileira na pesca do atum.

Para Areia Branca, o acompanhamento dessas decisões é considerado importante, já que qualquer mudança na atividade pode ter reflexos diretos na geração de trabalho, renda e movimentação econômica do município.

A TV Areia Branca continuará acompanhando as discussões e as próximas decisões relacionadas à pesca do atum no Brasil e os possíveis reflexos para a cadeia produtiva de Areia Branca.