Na primeira semana oficial das campanhas eleitorais, a grande maioria dos candidatos à Presidência da República investiu em agendas no Sudeste, onde estão os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A única exceção à estratégia foi Renan Santos (Missão) que apostou em compromissos pelo Nordeste, reduto tradicionalmente petista.

Ainda no domingo (16), primeiro dia que a propaganda eleitoral foi permitida, de acordo com as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os presidenciáveis decidiram lançar suas campanhas em seus respectivos berços políticos.

Lula resgata raiz metalúrgica e social

O presidente Lula (PT) escolheu o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, para o ato oficial da sua campanha á releeição.  O município do ABC paulista foi onde ele cresceu como líder sindical dos metalúrgicos ainda no final dos anos 1970 e, não à toa, imagens daquela época foram projetadas no telão durante o evento.

Ao longo da semana, Lula passou pelo Amapá e pelo Rio Grande do Norte, mas na sexta-feira (21) embarcou para Minas Gerais, onde cumpriu agendas em Governador Valadares e Belo Horizonte.

Na capital mineira, Lula subiu ao palanque na praça Estação. endereço historicamente ligado às manifestações políticas dos movimentos sociais de esquerda, para lançar a campanha de Patrus Ananias ao governo de Minas.

Mais cedo, Lula tinha conversado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o tarifaço imposto contra o Brasil – o tema tem sido um tópico constante nos discursos e falas públicas do petista nos últimos meses.

"Falei: Trump, em setembro tem a reunião da ONU. Convida o Xi Jinping e o Putin para sua casa. Ele tem uma casa de golfe, acho que em Miami. Convida os caras para sua casa, toma um trago e vamos procurar um jeito de fazer paz. O mundo tá precisando de paz, não de guerra", relatou Lula, em Belo Horizonte.

Flávio aposta em périplo por redutos bolsonaristas

No primeiro dia da campanha, o senador Flávio Bolsonaro convocou um ato de encontro na praia de Copacabana, no Rio, tradicional e principal ponto de encontro do bolsonarismo. Com um ato esvaziado na Avenida Atlântica, ele deu o pontapé em sua campanha com um discurso de combate à corrupção, ataques ao presidente Lula e reforço da ideia de que sua candidatura pretende “resgatar o Brasil”.

No dia seguinte, Flávio continuaria a campanha com uma motociata em Juiz de Fora, na zona da mata mineira. A cidade é emblemática e de importância histórica e simbólica para o eleitorado bolsonarista por ter sido onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi vítima de uma facada, em 6 de setembro de 2018.

A agenda entretanto foi cancelada por condições meteorológicas, segundo um comunicado enviado pela sua campanha. Ainda assim, ele foi a Belo Horizonte na terça-feira (18) e, ao lado de Flávio Roscoe (PL), candidato ao governo de Minas, e do deputado Nikolas Ferreira (PL), o senador frisou que “quem vence em Minas, vence no Brasil”.

"O povo quer a mudança, e a mudança vai começar aqui por Minas Gerais, porque quem vence em Minas, vence no Brasil. E aí a gente tem o melhor time aqui em Minas, como nunca antes tivemos na nossa história, pra mostrar o melhor projeto. [...] Então, o Brasil vai mudar, vamos começar por Minas Gerais", afirmou o candidato.

Na quinta-feira (20), Flávio fez sua primeira incursão pela capital paulista desde o início oficial da campanha. Ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas Republicanos) o senador passeou por bairros periféricos da zona leste de São Paulo em uma tentativa de avançar seus eleitores baixa renda, estrato que tradicionalmente compõe a base do PT (Partido dos Trabalhadores).

Caiado espalha a palavra da terceira via

Depois de governar Goiás por dois mandatos e largar o posto com uma aprovação de quase 85%, Ronaldo Caiado (PSD) obviamente não poderia ter escolhido outro lugar para lançar sua campanha e passou o domingo (17) em uma série de carreatas por municípios goianos no entorno do Distrito Federal.

Nos dias seguintes, o ex-governador passou a semana entre Brasília e São Paulo, indo a sabatinas, reuniões com economistas e representantes do agronegócio, além de participar do lançamento de candidaturas do PSD pelo interior paulista.

Pelas agendas, Caiado apresentou seu plano de governo e seguiu defendendo sua aposta de que os brasileiros eventualmente vão se cansar da polarização de uma "Eleição de Rejeitados" como ele tem dito nas últimas semanas, e mudou de opinião sobre o fim da escala de trabalha 6x1, inicialmente classificada por ele como “medida eleitoreira de Lula”.

"Sou a favor (da redução de jornada). O Brasil precisa respeitar quem gera emprego e o empregado. Aceito a redução para o 5x2", disse durante entrevista ao SBT.

Zema se concentra em corpo-a-corpo na metrópole

Com menos mobilidade que seus adversários, Romeu Zema (Novo) concentrou a sua primeira semana de campanha em São Paulo. Na capital paulista, ele trabalhou em aumentar o reconhecimento da sua candidatura em um corpo-a-corpo com setores alinhados às pautas da sua candidatura.

Zema foi dos bairros e áreas nobres, como Jardins e Consolação, aos centros populares, como a 25 de Março e a Feira de Guaianases. A estratégia do mineiro tem sido levar sua campanha às ruas e falar “com o povo de verdade”, mostrando-se como um homem simples e repetindo o tom das suas duas campanhas bem-sucedidas ao governo de Minas Gerais.

“Hoje, temos governo pró-bilionário. Quem tem dinheiro aplicado nada de braçada no Brasil. Quem tem dívida está morrendo”, afirmou.

Renan Santos começa na contramão

Renan Santos (Missão) foi o único presidenciável que arriscou promover agendas eleitorais fora do Sudeste ao longo da semana e, entre quarta e quinta-feira, participou de atos na Paraíba e em Alagoas, redutos tradicionalmente petistas.

Entretanto, quando voltou a São Paulo, Renan também fez questão de acenar aos eleitorados jovem e de baixa renda. Na sexta-feira (21), ele participou de um “panfletaço” com apoiadores na Universidade Presbiteriana Mackenzie e, na manhã do sábado, foi ao Jardim Panorama, na zona leste, para lançar o “Marco da Desfavelização”.

Vestindo colete à prova de balas, Renan passeou pela comunidade e apresentou a proposta de investir entre R$ 1,3 e R$ 1,5 trilhão na “desfavelização”, com melhoras em moradia, regularização de imóveis e acesso a serviços essenciais.

CNN Brasil