Uma equipe da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Areia Branca, realizou uma vistoria técnica na praia de Upanema após a identificação de decomposição de matéria orgânica e alterações nas condições da água em uma área da orla.

O local passou a apresentar água com aspecto alterado e mau odor, principalmente em uma espécie de piscina natural formada após a maré alta. Segundo a equipe técnica, a área ficou com água acumulada e em contato com sedimentos, favorecendo o processo de decomposição da matéria orgânica.

Durante a vistoria, foram coletadas amostras da água acumulada no local para análise de parâmetros físico-químicos. De acordo com o professor Filipe Peixoto, da UERN, os resultados preliminares apontaram alterações importantes.

Fotos: TV Areia Branca

“Essa concentração em algumas piscinas, com uma grande quantidade de algas, vem de uma proliferação muito grande na plataforma continental. Com uma maré muito alta, essa maré vem justamente para este setor da praia. Como essa maré muito alta não é tão frequente, ela ocorre apenas durante cerca de 40 dias. Então, ela vem e deposita o material, juntamente com o sargaço, que é esse material orgânico que tem causado esse problema. Quando ela recua, deixa de vir novamente durante vários dias. O material fica aqui aprisionado, juntamente com uma concentração maior de água. Essa água vai se deteriorando por conta do apodrecimento do sargaço. A matéria orgânica vai se decompondo e, consequentemente, você tem esse cheiro, que realmente parece cheiro de esgoto, porque a matéria orgânica está sendo decomposta. No entanto, essa matéria orgânica é natural. Ela não vem de esgoto, não vem de uma fonte antropogênica.

Essas piscinas têm se formado com mais frequência em função da dinâmica da praia e da quantidade maior de ilhas-barreiras, que têm provocado o isolamento de pequenas piscinas. Isso aumenta a concentração dessas algas. Esse é o problema que a gente está enxergando aqui. Pelo aspecto da água, dá para perceber que ela está esverdeada. É uma água hipertrófica, e é justamente isso que está causando esse odor muito forte aqui na praia”, explicou o professor Filipe Peixoto.

professor Filipe Peixoto, explicando a nossa reportagem, o que está acontecendo na praia de Upanema - reprodução: TV Areia Branca

Ao ser questionado sobre o prazo para a conclusão dos estudos e das análises das amostras coletadas, o professor Filipe Peixoto, da UERN, explicou que a equipe ainda está avaliando os resultados obtidos durante a vistoria e que os dados serão analisados de forma detalhada antes da elaboração do relatório final.

“Essa amostra que nós estamos fazendo agora é, basicamente, uma análise de STD e oxigênio dissolvido. O oxigênio dissolvido aqui provavelmente vai dar muito baixo e comprovar justamente que há uma eutrofização dessa água. O oxigênio muito baixo quer dizer que há uma proliferação de bactérias anaeróbicas. São elas que, justamente, têm causado esse odor muito forte.

Esse estudo que a gente vai fazer, as análises que vamos realizar são praticamente instantâneas. A gente vai ter o resultado na hora e dá para saber justamente se é realmente esse fato do oxigênio muito baixo, em função do isolamento das algas e do apodrecimento delas juntamente com a água. Para um estudo mais aprofundado, a gente precisa saber não só a qualidade da água, como também o impacto que foi causado aqui na praia durante todo esse processo de urbanização. Houve uma mobilização muito forte desse material. Isso pode ter causado uma maior quantidade de material, produzindo ilhas-barreiras com maior volume dessas piscinas, o que pode ter provocado essa quantidade maior de água e, justamente, uma quantidade maior de odor.” Completou. 

Equipe da UERN na avaliação na orla da praia de Upanema - foto: TV Areia Branca 

“É importante destacar que todo esse processo acontece de forma natural. Nós sabemos que, nesse período de junho, julho, agosto e setembro, com os fortes ventos em nosso litoral e as correntes marinhas, elas acabam trazendo as algas para a faixa de praia. Esse acúmulo, consequentemente, causa esse forte odor, devido à decomposição das algas. Nós pedimos a compreensão da população diante da complexidade ambiental dessa situação. Qualquer intervenção que seja realizada deve ser baseada em dados técnicos. Nós, como gestão e como Prefeitura, estamos em busca de parcerias com instituições para que sejam realizadas ações adequadas, a fim de melhorar as condições de banho e o bem-estar da população em geral.” Enfatizou, Josivania Emanuelly - secretária de Meio Ambiente

Equipe da UERN e a secretária de Meio Ambiente, após primeira vistoria na orla - foto: TV Areia Branca 

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a equipe da UERN informaram que a avaliação técnica ainda está em andamento e que o relatório final deverá reunir os resultados das análises e as conclusões sobre as condições ambientais observadas na área. Até a conclusão do relatório, os dados apresentados são considerados resultados preliminares da vistoria realizada na praia de Upanema.