O senador Flávio Bolsonaro (PL), a mulher, Fernanda, e as duas filhas do casal viajaram em janeiro de 2025 da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília em um jato ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Oito meses depois, em agosto, a mesma aeronave foi utilizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e pela mulher dele, a advogada Viviane Barci.

A informação foi revelada pelo GLOBO e pela revista Piauí, o voo de Flávio e familiares ocorreu em 19 de janeiro de 2025, no trecho entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília. O advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, também estava na aeronave.

Documentos analisados pelo GLOBO identificam o avião pelo prefixo PP-NLR. Trata-se de um Embraer EMB-135BJ, modelo conhecido como Legacy 650. Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. e é operada pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços Ltda.

A documentação da Anac mostra que a Fraction 024 e a Prime Aviation firmaram, em dezembro de 2022, um contrato de administração, cessão de uso e compartilhamento do avião. Pelo acordo, a Prime ficou responsável pela administração e operação da aeronave.

Segundo o GLOBO, a Prime You, empresa relacionada à operação do jato, tinha Daniel Vorcaro entre seus sócios. O banqueiro permaneceu como sócio direto da empresa até setembro de 2025.

A Polícia Federal trata Vorcaro como proprietário de fato da Prime You. Em relatório de março deste ano, os investigadores afirmaram que, embora outra pessoa aparecesse formalmente à frente da empresa, ela atuaria como “laranja” do banqueiro.

A relação de Vorcaro com a aeronave também aparece nas investigações da PF sobre contratos do Banco Master com o escritório de Viviane Barci. Segundo documentos revelados pelo GLOBO, um contrato de R$ 50 milhões previa que parte do pagamento ao escritório seria feita com participações em um jato e um helicóptero.

Uma das participações oferecidas por Vorcaro seria justamente na Fraction 024, empresa que consta nos registros da Anac como proprietária do PP-NLR. Moraes e a defesa do escritório de Viviane afirmam que esse segundo contrato não existiu ou não foi assinado.

O voo de janeiro não foi a única viagem internacional de Flávio Bolsonaro com Willer Tomaz. Conforme já havia revelado o GLOBO, a Polícia Federal identificou ao menos cinco deslocamentos internacionais feitos pelos dois no primeiro semestre de 2025, com destinos como Estados Unidos, África do Sul, Portugal e França.

Os registros foram encontrados pelos investigadores durante a análise do celular e da caixa de e-mails de Willer. Entre os dados localizados estavam fotografias, reservas, registros de voos e documentos relacionados ao aluguel de veículos.

O registro específico da viagem de janeiro de 2025 também foi localizado pela PF na análise das comunicações do advogado. Um e-mail enviado em 24 de janeiro menciona o deslocamento de Willer e de sua família, além de Flávio e seus familiares.

A viagem ocorreu no fim de semana anterior à posse de Donald Trump para seu segundo mandato, realizada em 20 de janeiro. Durante a passagem pela Flórida, Flávio e Willer estiveram juntos no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami, conforme já havia informado o colunista Lauro Jardim, do GLOBO.