Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar uma denúncia de suposta violência política de gênero atribuída ao vereador Matheus Faustino (União) contra a vereadora Brisa Bracchi (PT). A abertura da investigação foi comunicada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) ao mandato da parlamentar nesta quinta-feira 9.

O procedimento teve origem em uma notícia de fato apresentada em fevereiro. Segundo a denúncia, Faustino teria publicado mais de 50 vídeos com ataques direcionados à vereadora, utilizando sua imagem, inclusive com recursos de inteligência artificial.

“O vereador utilizou de maneira reiterada suas redes sociais, especialmente o Instagram, para divulgação de mais de 50 vídeos contendo ataques políticos personalizados à vereadora, com exposição reiterada de sua imagem facial, inclusive mediante edições e modificações por ferramentas de inteligência artificial, em tom sensacionalista, deslegitimador e de forte apelo emocional”, diz a denúncia.

O Ministério Público também deu prazo de 15 dias para que Brisa apresente um depoimento escrito, com relato dos fatos, indicação de testemunhas e outras provas que considere relevantes.

Em fevereiro, a vereadora já havia protocolado uma representação contra Faustino na Comissão de Ética da Câmara de Natal. Ela afirma ser alvo de perseguição sistemática e sustenta que o vereador realizou mais de 90 publicações com ataques à sua imagem.

“Ocorre que as postagens são verdadeiros ataques pessoais contra a vereadora, demonstrando perseguição sistemática e reiterada, com grande repercussão pública”, afirma a representação.

O documento também aponta que “há grandes evidências de utilização de perfis falsos e robôs digitais para amplificar ataques, ameaças e xingamentos dirigidos à vereadora”.

Além da investigação da PF, Matheus Faustino já foi condenado pela Justiça, em abril, por divulgar informações falsas contra Brisa Bracchi. Ao determinar a retirada definitiva das postagens, o juiz André Luis de Medeiros Pereira afirmou que a acusação de que a vereadora destinou R$ 50 mil para aluguel de mesas e cadeiras “tratando-se de narrativa que desconsidera o caráter global do empenho e a pluralidade de liquidações dele decorrentes”. O vereador também foi condenado a pagar R$ 4 mil por danos morais.