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A expansão das apostas online no Brasil tem sido acompanhada pelo aumento dos casos de dependência e da procura por tratamento. Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) apontam que 10,9 milhões de brasileiros apresentam algum padrão de jogo de risco ou problemático, enquanto cerca de 1,4 milhão desenvolveram dependência relacionada às apostas.
No SUS, foram registrados 10.553 atendimentos por jogo patológico e mania de jogo e aposta entre janeiro de 2018 e maio de 2025, alta de 104% no período. O Ministério da Saúde alerta, porém, que os números podem estar subestimados.
Desde dezembro de 2025, mais de 1 milhão de pessoas também aderiram à ferramenta de autoexclusão de plataformas de apostas criada pelo governo federal. Em março deste ano, o Ministério da Saúde iniciou um serviço de teleatendimento específico. Desde então, 27.703 pessoas se cadastraram.
O tratamento do chamado transtorno do jogo, reconhecido como dependência comportamental pela psiquiatria, costuma envolver psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico. Especialistas defendem ainda uma abordagem integrada, com atenção às finanças, à família e ao contexto social do paciente.
Médicos ouvidos pela reportagem do jornal O Globo afirmam que a fragmentação do atendimento pode dificultar a recuperação e aumentar o risco de recaídas. O Tribunal de Contas da União também apontou falta de profissionais especializados, estrutura e ações de prevenção na rede pública.